SIMAB foi debater com a “FAO” desafios alimentares na América Latina

A SIMAB participou — em Buenos Aires, na Argentina — na Semana da Alimentação e Agricultura promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Federação Latino-Americana de Mercados Abastecedores (FLAMA). iniciativa destinada a debater, entre outros assuntos, o combate ao desperdício alimentar na América Latina e no Caribe.

Enquanto Membro Observador da FLAMA — que reúne grandes abastecedores, centros de distribuição, associações e instituições públicas e privadas de distribuição alimentar regional, incluindo mais de 298 mercados –, a SIMAB assistiu, assim, ao estabelecimento de um acordo entre estas duas entidades, que assumem desenvolver esforços para enfrentar o desperdício de alimentos.

Esta “Semana de la Agricultura y la Alimentación” envolveu mais de um milhar de pessoas, entre parceiros privados, públicos, académicos, representantes do mundo rural, produtores e outros membros da sociedade civil, assumindo-se como um grande fórum regional de troca de experiências, diálogo, aprendizagem e construção de acordos.

Segundo Teresa Pereira – a diretora-comercial do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), que representou o Grupo SIMAB neste fórum –, os trabalhos concentraram-se em temas como «os sistemas alimentares para combater a obesidade e a fome», «estratégias para erradicar a pobreza rural e promover o desenvolvimento rural sustentável», «sociedades rurais resilientes e a nova economia agroalimentar adaptada às mudanças climáticas», e nos «desafios tecnológicos do futuro no desenvolvimento agrícola e rural».

Para o Subdiretor-Geral e representante regional da FAO, Julio Berdegué, que interveio na cerimónia de abertura, as duas principais causas das recentes ondas de migração na América Latina e no Caribe, especialmente nos países da América Central, são a seca prolongada e a queda do preço do café. «Estamos a assistir, por estes dias, a imagens de fluxos de pessoas que fogem dos campos, de povos da nossa América Latina e do Caribe, como se fossem zonas de guerra», disse.

Berdegué enfatizou então que, para a FAO, é importante criar condições para que as pessoas não decidam migrar. «No momento em que o migrante comprou a passagem para apanhar o autocarro e sair, já temos pobreza; o nosso trabalho é ver como criamos condições para que ele não queira, não precise, de apanhar esse autocarro», disse.

«Temos quatro milhões de camponeses no corredor seco que perderam as suas colheitas. Além disso, o preço do café caiu. Então, o trabalho para ir colher café também caiu. Essa combinação de seca e de baixos preços do café é realmente uma bomba, deixando milhares de famílias a sofrer as consequências», sublinhou.

Julio Berdegué defendeu que a região precisa de uma revolução agrícola que erradique a fome e que estabeleça as bases de uma dieta rica, lembrando assim que, «hoje, no século XXI, quase metade da população rural da América Latina e do Caribe vive em condições de pobreza rural e que um em cada cinco habitantes rurais vive em extrema pobreza».

Segundo Berdegué, a América Latina e o Caribe produzem alimentos suficientes para garantir o consumo básico de seus 646 milhões de habitantes e outros 169 milhões de pessoas de outras regiões. Contudo, 294 milhões de latino-americanos e caribenhos, isto é, 46% da população, sofrem de desnutrição, apesar de, como disse Berdegué, a região ser um “Jardim do Éden”, onde são produzidos cereais, sementes oleaginosas, carnes, café, cacau, vegetais, frutas, sucos, vinhos e açúcar.

2019-07-29T12:06:38+00:00