Conferência dedicada à Agrologística – Mercados Abastecedores precisam de Planeamento e Marketing Estratégicos

Um setor pujante, mas com grandes desafios, que carece de planeamento e de marketing estratégicos. Pode muito bem ser esta a síntese da primeira conferência dedicada à Agrologística que o Mercado Abastecedor da Região de Lisboa acolheu a 19 de outubro, numa iniciativa da “Supply Chain Magazine” e a que aderiram vários parceiros do Grupo SIMAB.

Na abertura dos trabalhos – que decorreram no original cenário do “pavilhão dos produtores” (A03) do MARL –, o CEO do Grupo SIMAB fez questão de enquadrar o momento do agronegócio e dos mercados abastecedores em Portugal: «pese embora os anos de crise, que felizmente temos estado a ultrapassar, ela criou janelas de oportunidade, desde logo porque os nossos empresários aproveitaram para diversificar e internacionalizar a sua atividade».

Rui Paulo Figueiredo aproveitou, assim, para fazer o ponto da situação relativo aos mercados abastecedores: «temos dado a volta e com sucesso; temos abatido a dívida, que é vulgarmente um problema do setor empresarial do Estado; nos dois últimos anos abatemos 13 milhões à dívida, o que a torna perfeitamente sustentável; orgulhamo-nos de ter tido os dois melhores resultados líquidos de sempre, quer no Grupo SIMAB, quer no MARL».

O gestor da rede pública de mercados grossistas relevou, neste contexto, dois eixos estratégicos do grupo, designadamente o «reposicionamento da atividade dos mercados abastecedores» no que respeita à logística e aos transportes, áreas em que o grupo tinha há dois anos 2500 dos seus clientes, e o investimento em comunicação, «em que o grupo gastava zero euros».

Em suma – enfatizou Rui Paulo Figueiredo –, no agronegócio, nos mercados abastecedores, em Portugal, «é preciso planeamento estratégico e marketing estratégico».

A indústria agroalimentar nacional

O ponto da situação e o enquadramento da indústria agroalimentar nacional continuou a ser feito durante a primeira palestra da Conferência, cabendo ao presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), Jorge Tomás Henriques, abordar os volumes de exportação, o número de trabalhadores e a modernização tecnológica.

“Os agro-clusters e o seu papel na nova dimensão da indústria agroalimentar” foi o tema para a primeira mesa-redonda. José Damião, em nome da “Loures Inova”, Deolinda Silva, diretora da “PortugalFoods”, e Márcia Mendes, diretora da “A2S”, foram moderados pelo consultor Pedro Santos Pereira. No caso da indústria agroalimentar, que balanço se pode fazer das dinâmicas de cooperação que têm sido implementadas? Foi um dos motes da conversa, a par da ideia de valorizar a origem e a marca “Portugal”.

“O Desafio dos Mercados Abastecedores” foi assunto para um painel conduzido por Jorge Reis (Revista “Frutas, Legumes e Flores”), em que a diretora-comercial do MARL, Teresa Pereira, falou dos investimentos recentes e de outros em curso no Mercado Abastecedor de Lisboa. Já Felisbela Pereira, coordenadora do Sistema de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar da empresa “Eporifrutas”, enfatizou um conjunto de medidas organizativas e processos a implementar para garantir a qualidade e a segurança alimentar dos produtos hortofrutícolas.

A visão do retalho sobre as cadeias logísticas no agroalimentar foi assunto desenvolvido por Joaquim Vale (administrador da “Santos & Vale”), José Godinho (grupo “Os Mosqueteiros”), Luís Cruz (“Sonae MC”) e Leonor Afonso (“Auchan Retail Portugal”), numa conversa moderada por Teresa Silveira (“Vida Económica Editorial, SA”).

A última mesa-redonda – “Quando a tecnologia e a inovação se aliam à indústria agroalimentar” – teve a participação de Alexandre Felício (“Supply Chain Diretor”), Mauro Cardoso (“Monliz, SA”), Manuel Tarré (“Gelpeixe, SA”), Eduardo Vilas Boas (“Primor”) e João Potier (“Arrozeiras Mundiarroz”), moderados pela jornalista Fátima de Sousa.

2018-10-29T11:19:56+00:00